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projecto tempo circular

‘tempo circular’

2015 | ‘Calendário 4 estações 2015– ASPAS
2014 | ‘Calendário 4 estações 2014 – ASPAS

2013 | ‘Mandala Astrológica 2013 | [ENG version here]

O projecto ‘Tempo Circular’ surge no início de 2013. O seu núcleo centraliza questões relacionadas com a natureza, a vivência, a percepção e a representação do Tempo, fazendo convergir Astrologia e Artes Visuais para pontos de encontro potenciadores da complementaridade : aproximar rigor e intuição, ligar informação a significado, reunir ferramenta e símbolo. Tem tido um desenvolvimento que pode ser considerado como ‘desenho de infografias’, adaptado ao contexto de uma astrologia contemporânea de orientação humanista e psicológica, baseada numa visão integradora para o desenvolvimento do Ser Humano, para a evolução da consciência e a abertura à espiritualidade.

Tempo é um conceito vasto e estrutural à existência humana, filosoficamente abordado a partir de múltiplos ângulos e culturas. O referencial de base para o desenvolvimento deste projecto associa-se ao Tempo sob dois dos seus aspectos fundamentais, que a cultura clássica nomeou de Cronos e Kairos. O modo como entendo este dois aspectos motivou-me a investigar e a desenvolver soluções de representação em que eles possam co-existir e relacionar-se entre si. Pela minhas palavras, eis como os entendo :

O primeiro endereça-se ao Tempo projectando-se no contínuo espaço-tempo da nossa realidade física, o que lhe confere um carácter sequencial, em que um instante ou momento que nomeamos de presente ou que tomamos como nosso referente, implica um percurso que o precedeu – o Passado – e um potencial percurso que se lhe seguirá – o Futuro. Esta é a face tripla do tempo linear, por assim dizer, existencial, aquela face que melhor conhecemos na vida quotidiana e habitualmente apelidamos de ‘tempo’. Esta face pode ser compreendida como uma superfície exterior do próprio Tempo. Esta é a face personificada pelo Deus Cronos da mitologia grega. Uma superfíce passível de ser medida e uma face que se dá a conhecer pela sua história, pela sua narrativa. Vejo-o como um ‘tempo exteriorizado’, intrínseco à nossa relação objectiva com o mundo e os outros. Pragmático, normativo, social… Na linguagem comum é o ‘tempo que corre’, ‘o tempo que é igual para todos’, ‘o tempo que nunca pára’, e também o ‘tempo que é dinheiro’ da cultura materialista.

O segundo endereça-se ao Tempo que não se move. Ele não pára, mas também não corre, pois não se projecta no continuo espaço-tempo. Um Tempo que é percepcionado e vivido interiormente, psicologicamente, psiquicamente, qualitativamente. Ele não é mensurável, não se manifesta em unidades quantitativas e parece-me estar dimensionado pela qualidade que lhe associamos. Este tempo é tangencial ao nosso quotidiano através do aspecto ‘presente’ do tempo linear, em que é sentido como um ‘agora significante’ e mais ou menos expandido no tempo cronológico consoante a qualidade que nos transmite. É aquele tempo subjectivo que ‘nunca mais passa’ – aí associamo-lo a qualidades psicologicamente negativas como tédio, impotência, dor, sofrimento, medo, repetição, automatismo – ou então ao que ‘nem damos por ele’ – associado a momentos de e alegria, prazer, entusiasmo, relaxamento, concentração, descoberta, aprendizagem. Vivemo-lo através do significado e sentido de um momento presente e também através do grau de consciência e atenção que lhe dedicamos. Este é Kairos, um ‘tempo interiorizado’, é o coração e o olhar de Cronos, que subjaz à relação que temos conosco próprios e às relações qualitativas com o mundo e com os outros. É o tempo que sentimos no estado de graça do enamoramento e de outras experiências sublimes da vida. Aí parece-nos que o tempo pára e tudo é possível.

Se o Tempo em Cronos é tendencialmente quantitativo, sequencial, narrativo e automático, em Kairos é qualitativo, convergente, poético e criativo. Se Cronos é linear e Kairos é nuclear, eu lancei-me na busca do encontro entre os dois, no que me parece ser o ‘tempo circular’ : aquele que podendo ser observado e percebido em todas as recorrências mensuráveis e previsíveis no tempo linear enquanto fenómenos cíclicos, aponta interiormente para um sentido, uma direcção, um significado. Estes sinalizam o núcleo central que se expande exteriormente, através de Cronos, com uma qualidade específica sentida interiormente, em Kairos. O ‘tempo circular’ é o tempo sagrado e simbólico, o tempo da oração e da meditação, aquele que facilita uma condição de acesso a planos mais elevados do Ser. É também o tempo das sicronicidades para as quais Jung nos chamou a atenção há mais de um século e que vulgarmente chamamos de ‘grandes coincidências’ ou ‘obras do acaso’.

Tendo como ponto de partida a Astrologia, propus-me desenvolver esse conceito na busca de uma solução para a representação da informação essencial das efemérides astrológicas. Essa informação fornece coordenadas de tempo (anos, meses, semanas, dias, horas, minutos) e espaço (posição relativa às constelações do zodíaco tropical por signo, grau, minuto e segundo) para os astros assim como para fenómenos cíclicos relevantes entre Sol, Terra e Lua (fases da Lua e eclipses) que são habitualmente utilizados na elaboração de mapas e temas astrológicos. A forma mais comum das efemérides é a de ‘tabela’ e a de bases de dados informáticas processadas por programas de astrologia.

A visualização de datas e horas em dígitos numéricos e de informação em tabelas e folhas de cálculo são sintomáticas do contexto cultural em que vivemos. Em ambos prevalece a expressão abstracta da informação, que a afasta do plano existencial para um plano virtual. Perante o impasse crítico em que nos encontramos e perante as evidências positivas e negativas desta tendência à virtualização da realidade, identifico-me com aqueles que através das artes visuais, reformulam metodologias da representação em gráficos estáticos e dinâmicos que tendem para imagens e símbolos. Diferentes modos de ver permitem diferentes modos de pensar…

sobre a ‘Mandala Astrológica 2013’ e o ‘Calendário 4 estações’

O projecto teve duas etapas até ao momento presente – ‘Mandala Astrológica’ e ‘Calendário 4 estações’ – e prevê-se uma terceira para 2016/17. Até à data foram lançados duas edições do calendário , uma em 2014 e outra este ano e também uma edição especial da ilustração da capa de 2015 : ‘Olhar 2015’

A concepção e o desenho da mandala para 2013 estabeleceram a maior parte das soluções gráficas que foram em 2014 e 2015 integradas e adaptadas ao formato do calendário e totalmente redesenhadas para as efemérides em cada um dos anos.

'Calendário 4 estações'

‘Calendário 4 estações’

Mandala Astrológica

Mandala Astrológica

A ‘Mandala Astrológica 2013’ foi impressa sobre papel fotográfico, formato quadrangular 100×100 numa edição de autor e disponibilizada como imagem em formato digital a pedido através de ‘raio de seda astrologia’. Nesse mesmo ano, o astrólogo João Medeiros facilitou o contacto entre a presidente da Associação Portuguesa de Astrologia (Aspas), Isabel Guimarães e a autora para proposta de uma parceria, tendo em vista o desenho de um calendário ofical para a Aspas em 2014. A parceria ficou acordada para 2014, manteve-se em 2015 e terá continuidade em 2016.

O ‘Calendário 4 Estações’ adoptou um formato de tríptico vertical articulado, impresso em frente e verso, no qual uma ‘mandala solar’ ocupa a página central de ambos os lados e as restantes quatro páginas reunem as três ‘mandalas lunares’ correspondentes às quatro estações do ano. Uma embalagem protege o calendário e contém editorial, diagrama e intruções no seu interior.

sobre os conteúdos da mandala e dos calendários

A Mandala Astrológica 2013 é um calendário Solar e Lunar que integra os tempos astrológico e mundano circularmente com transcrição gráfica dos dados das efemérides. Foi criado como veículo agregador de informação através de correspondências geométricas e cromáticas. Sintetiza visualmente o tema e o contexto astrológico do ano facilitando uma leitura mais intuitiva dos dados. Funciona a diversos níveis, do mais pragmático (objecto de consulta para o trabalho/estudo astrológicos) ao mais introspectivo (foco para reflexão e meditação).

Na busca de um elevado grau de coerência interna entre forma e conteúdo, a estrutura e composição da mandala definiram-se segundo parâmetros que reflectem princípios básicos da Astrologia, tal como a importância do Sol e da Lua entendidos como as duas ‘Luminárias’ – o ‘Rei do Dia’ e a ‘Raínha da Noite’, dois pólos opostos e complementares que ocupam lado a lado os seus tronos, correspondentes aos signos Leão e Caranguejo – ou as correspondências entre signos, planetas e as quatro qualidades elementares – Fogo, Ar, Água e Terra. Recorri à geometria sagrada do círculo e uma organização análoga à de uma mandala, enquanto bases para a composição cuja imagem final se foi definindo progressivamente ao longo do trabalho de transcrição gráfica e inserção dos dados. A imagem foi desenvolvida para incluir várias camadas de leitura das efemérides :

  • calendário solar : o ciclo anual astrológico expresso pela passagem do Sol através dos 360º do Zodíaco, em função da qual se assinalam os ingressos e estações dos planetas e do nodo lunar norte. Cada planeta ocupa um disco circular com dimensão mais reduzida quanto mais lento for o seu movimento pelos signos. A ‘mandala solar’ ocupa o centro.
  • calendário lunar : o ciclo mensal astrológico das Lunações – de uma Lua Nova até à seguinte, passando pelos signos do Zodíaco em função do qual se assinala a informação para os planetas até Saturno e as quatro fases da Lua. 12 ‘madalas lunares’ circundam a ‘madala solar’.
  • calendário mundano : em torno da ‘mandala solar’, subdivide-se o círculo em estações, meses e semanas do ano com correspondência exacta à posição por signo e grau do Sol no Zodíaco. Sinalizam-se também as Luas Novas, Cheias e ocorrência de eclipses.
  • mandala : o todo organiza-se em função do centro, numa progressão visual em que o ele se repete em torno de si mesmo doze vezes numa escala mais reduzida, sintetizando assim a correlação fundamental entre os ciclos do Sol , os ciclos da Lua e os ritmos sazonais da Terra.

Ao conceber e desenhar o ‘Calendário 4 estações’ a ‘mandala astrológica’ foi adaptada ao formato de tríptico vertical , mantendo a ‘mandala solar’ no centro e re-distribuindo as doze ‘mandalas lunares’ pelas quatro páginas das estações. Este novo formato veio permitir a inserção dos calendários mundano e astrológico com maior detalhe para cada estação.

Aparecem as efemérides sinalizadas dia-a-dia de um lado (mundano) e grau-a-grau do outro (astrológico). Os dias do mês e da semana, indicam o seu planeta regente – 2ª/Lua, 3ª/Marte, 4ª/Mercúrio, 5ª/Júpiter, 6ª/Vénus, Sábado/Saturno, Domingo/Sol . Ao centro estão as datas, hora e signo zodiacal correspondentes ao início das estações – solstícios e equinócios.

Este ano, a ilustração da capa , ‘Olhar 2015’, transmite as qualidades potenciais que o ano e cada uma das suas luas nos entregam, em arcos coloridos, para que as expressemos dia após dia no desenho quotidiano da existência. Sem esquecer o brilho das estrelas e das constelações. Foi impressa numa edição especial de 30 exemplares pela Aspas para o lançamento do calendário.

 C4Eolhar2015_iluwebform

Agradeço a todos os que até contribuiram, estiveram e continuam a estar envolvidos neste projecto. Em especial, à Isabel Guimarães e à Associação Portuguesa de Astrologia, da qual é membro fundador e presidente. Sem a parceria com a Aspas, este projecto não teria oportunidade de se aproximar e difundir junto da comunidade astrológica de um modo tão abrangente. Chegar à comunidade de profissionais e amantes da Astrologia foi um vector fundamental para o desenvolvimento do projecto desde o seu início. obrigada!

patrícia nazaré barbosa | raio de seda astrologia [2015]

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4 comentários leave one →
  1. Ana Quitério permalink
    17/04/2013 16:09

    acho que quero uma coisa destas. se bem percebi é um calendário anual solar e lunar?
    pode contactar-me, por favor?

    • 19/04/2013 9:26

      bom dia Ana,
      seguiu resposta por email no dia 17.
      obrigada pelo contacto e bom final de semana
      patrícia

  2. Pedro Castro permalink
    23/03/2014 11:15

    Bom Dia Patricia,
    Estive ontem a assitir a uma palestra do Carlos da Hollanda no Quiron, com a Isabel Guimaraes e tive a oportunidade de conhecer o seu calendário 4 estações. Amei mesmo.
    Acho um trabalho fantástico como nunca vi nenhum. Com toda a informação ao alcance da vista, sem ser necessario consultar o calhamaço das efemerides…..
    Muitos parabens
    Awsome!!!!!
    Continue por favor.
    Bem haja
    Pedro Castro

    • 24/03/2014 13:17

      obrigada Pedro, conto dar continuidade ao projecto em 2015 e as novidades sempre passarão por aqui.

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