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papagaio-diamante-de-fogo

os eclipses são como papagaios que podemos construir e lançar ao céu…

estamos a construir um ou prestes a lançá-lo em vôo

um papagaio-diamante de fogo

brilhante no alto do dia e fundo no silêncio da noite.

Em outubro de 2014, a Lua Cheia de dia 08 e a Lua Nova de dia 23 acontecem em Eclipse, e o do passado dia 08 foi daqueles que ‘falou’ comigo.

Esse impacto pessoal é algo que gostaria de partilhar. Não nos contornos mais biográficos da coisa, mas como algo que me foi mostrado intuitivamente…

Este eclipse em particular e o seu mapa, trouxeram-me uma maior clareza acerca do significado dos eclipses em geral e maior profundidade na compreensão do que realmente representam, no que diz respeito aos processos individuais de auto-conhecimento, consciência e integração psicológica num ser humano.

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Do ponto de vista de uma astrologia psicológica, o mapa natal é literalmente um mapa para o indivíduo se aproximar de si mesmo. Um eclipse que entre em ressonância com o mapa natal de uma pessoa, sinaliza um período de vida e um tema particular de intensificação do seu processo de desenvolvimento pessoal.

Podendo estar mais ou menos consciente deste processo, a pessoa atravessa meses em que a aprendizagem acerca de si mesma é catalisada, como que acelerada ou intensificada, através do curso da própria vida.

Acontecimentos, encontros, novos contextos, fortes oportunidades e/ou desafios serão, entre muitas outras, instâncias que no fundo apontam para dentro do seu ser e despertam tomadas de consciência. Algo que cronologicamente vai estar em sintonia com cerca de um ano, iniciando-se meses antes do eclipse e prolongando-se por meses depois dele.

Alguns simples factos astrológicos são intrínsecos aos eclipses e ajudam a defini-los e compreendê-los.

Comecemos por um ‘facto-chão’ ou ‘facto-zero’… algo não exclusivo dos mesmos, algo transversal à astrologia, mas que interessa relembrar para o caso :

0 em qualquer mapa astrológico, a não ser que estejamos em órbita algures no espaço… a posição do nosso querido planeta Terra, do nosso ‘chão existencial’ é sempre exactamente oposta à do Sol, esse centro gravítico de potencial ‘brilho essencial’ do nosso Ser. Isto é, astrologicamente o Sol e a Terra estão permanentemente em oposição.

Esta constatação – que é o desenho astrológico da Terra a orbitar o Sol – embora óbvia, é algo conscientemente pouco considerado no nosso ‘linguajar’ astrológico mais comum:

muitos de nós dirão, por exemplo, ‘Sou Balança’

muitos de nós dirão, por exemplo, ‘tenho o Sol em Balança, a Lua em Caranguejo, ..’

[enumerando todos os planetas e eixos por aí fora]

mas e a Terra ?? onde está???

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poucos de nós dirão ‘Sou Balança e estou em Carneiro’…

Um Sol em Balança ilumina uma Terra em Carneiro

Um Sol em Escorpião ilumina uma Terra em Touro

Um Sol em Sagitário ilumina uma Terra em Gémeos

Um Sol em Capricórnio ilumina uma Terra em Caranguejo

Um Sol em Aquário ilumina uma Terra em Leão

Um Sol em Peixes ilumina uma Terra em Virgem

Um Sol em Virgem ilumina uma Terra em Peixes

Um Sol em Leão ilumina uma Terra em Aquário

Um Sol em Caranguejo ilumina uma Terra em Capricórnio

Um Sol em Gémeos ilumina uma Terra em Sagitário

Um Sol em Touro ilumina uma Terra em Escorpião

Um Sol em Carneiro ilumina uma Terra em Balança

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Nascemos na Terra. O símbolo do planeta Terra é uma cruz inscrita num círculo, com uma linha vertical e outra horizontal.

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No nosso mapa natal, estes dois eixos são a cruz formada pelo eixo do Meio-do-Céu/Fundo-do-Céu (Zénite/Nadir) e pelo eixo do Ascendente/Descendente (Aurora/Ocaso ou Nascente/Poente).

Essa cruz, que é a nossa cruz cardinal pessoal (de arranque, de nascimento, de início), desenha-se consoante as coordenadas de espaço e tempo terrestres em que nascemos – o local, a hora do nascimento…

É uma cruz da nossa existência neste planeta. E é também a nossa natureza elemental quádrupla : Fogo, Ar, Água e Terra.

Então relembro este ‘ponto-zero’ que, de tão óbvio, tendeu para o esquecimento…

[ como quem se tivesse esquecido da própria revolução astronómica que historicamente rompeu com o paradigma geocêntrico e colocou a Terra no seu lugar, libertando assim o Homem para tomar consicência da sua própria condição e da Humanidade como um todo ]

a nossa existência orbita a nossa essência

a Terra orbita o Sol

(os quatro elementos ligam-se no éter

e a natureza elemental responde a uma natureza subtil)

[ e eu, como muitos de nós, tendo vindo a sofrer desta espécie da amnésia astrológica colectiva, graças à vontade, amor e sabedoria que chamam por mim, em mim, a algo mais vasto (e mais simples), graças a bons professores, livros, colegas, mestres e muita prática, graças à vida,

como poucos de nós, tenho também vindo a recuperar dessa amnésia. Tomando consciência dela. E ajuda, pelo menos inicialmente, desenhar o símbolo do nosso planeta, marcá-lo no mapa natal.]

Regressando aos factos…

1 um eclipse, seja solar ou lunar, é um momento de alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra

2 – como tal, sempre coincide com 2 momentos específicos dos ciclos lunares :

ou numa Lua Nova (eclipse solar) em que o Sol e a Lua estão em conjunção.

ou numa Lua Cheia (eclipse lunar) em que o Sol e a Lua estão em oposição.

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Se inicialmente o Sol, no nosso mapa astrológico, pode ser visualizado como uma gota de água que reflecte todo o mapa,

[ um sol ‘lunar’, no sentido de reflexivo e psicologicamente imaturo, infantil, em processo de construção da personalidade. ]

ao longo do tempo este mesmo Sol, através da experiência pessoal e da consciência de si, revela a qualidade potencial do nosso próprio Sol interior,

[ no sentido de auto-consciente e psicologicamente em amadurecimento, relacional, num processo de definição da sua identidade e de harmonização da sua personalidade ].

É a partir deste centro individual que o brilho pessoal Solar de cada um poderá vir a iluminar todo o mapa, e mais além…

[ um Sol psicologicamente maduro, criativo, em processo de consolidação e expressão da sua identidade através de uma personalidade bem coordenada ].

O Sol é esse ponto identitário de irradiação da luz e do calor da nossa essência, vivo, alegre e activo, em torno do qual orbitamos existencialmente (como um planeta em torno de uma estrela) o nosso Ser.

As principais qualidades dessa essência estão relacionadas com o signo que ocupa e também com os aspectos que forme com outros planetas e pontos do mapa. A sua localização numa casa astrológica natal indica a área de vida que funciona como arena central em todas as etapas de desenvolvimento.

Chegando à maturidade de uma terceira etapa, a casa astrológica do Sol natal será uma espécie de cabo rochoso onde agora assenta um farol. Podemos evoluir de uma gota de água num oceano imenso a um farol que ilumina o oceano, bem fundado na sua rocha.

E o que é essa ‘rocha’ senão uma casa astrológica? O que é uma casa astrológica senão um sector do mapa definido em função da nossa localização na Terra? Tal como os eixos AC/DC e IC/MC, as casas são determinadas pela hora e local do nosso nascimento.

Uma expressão genuína, efectiva e plena do Sol depende da integração da Lua.

Todas as etapas acima mencionadas do processo de crescimento psicológico são estágios progressivos de integração destas duas ‘Luminárias’ :

Aprendemos inicialmente a reconhecer, distinguir e equilibrar os pólos conscientes e inconscientes que dinamizam a nossa personalidade. Neste sentido, o pólo consciente é associado ao Sol e o pólo inconsciente, à Lua. A Terra poderá associar-se a todo o contexto exterior ao indivíduo enquanto que a Lua é também associada ao corpo físico. De uma forma muito simplificada temos :

um ‘Eu’ consciente – diurno (visível), objectivo, afirmativo, activo, criativo – definido pela expressão qualitativa do Sol .

um ‘Não-Eu’ inconsciente – nocturno (oculto), subjectivo, reactivo, fecundo, imaginativo – subjacente na energia do signo da Lua, tendencialmente acedida, activada e disponível através da área de vida indicada pela casa que ocupa.

um ‘contexto existencial’ qualificado pelo signo da Terra.

Ao amadurecer vamos conquistando um sentido interior de equilíbrio e harmonia entre os dois pólos e afinando a nossa relação objectiva e subjectiva com os outros e com o mundo exterior. Nesse processo, um sentido de si vai-se buscando e definindo através de uma crescente auto-consciência (processo interno) e através da qualidade e da satisfação sentidas nessas interacções (processo relacional, experiencial, projecção).

[ Para entender com maior profundidade esta dinâmica pode ser útil complementar a interpretação do Sol e Lua natais com a análise mais detalhada de ciclos Lunares mensais, dos ciclos de Lunação progredidos e aspectos formados pelo Sol e pela Lua (Luminárias) com os eixos e planetas mais relevantes do mapa através de técnicas de progressão, direcção ou análise de pontos médios ]

Quando um eclipse entra em ressonância com a nossa matriz natal, o processo intensifica-se devido ao alinhamento da Terra, da Lua e do Sol.

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Um eclipse pode ser visto como um papagaio :

sonhamos com ele, projectamos um, buscamos o material, aprendemos como se faz, construímo-lo, decoramo-lo, lançamo-lo, finalmente, ao ar…

Tal como pode também ser entendido como um ‘papagaio’, no sentido da configuração astrológica…

Os aspectos clássicos que traduzem uma relação harmoniosa, equilibrada e concordante são o trígono (120º), o sextil (60º) e a conjunção (consoante a natureza dos planetas envolvidos). Uma configuração leve e fluída, predisposta ao vôo se esta fôr estruturalmente ancorada no trabalho de síntese dos opostos e de compreensão das condições paradoxais em nós.

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Podemos agora adicionar um terceiro facto :

3 os eclipses pressupõem uma proximidade do Sol e da Lua ao eixo dos Nodos Lunares (pois este eixo resulta da intersecção de dois planos orbitais – precisamente um relativo à Terra-Sol e outro à Lua-Terra). Assim :

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a) o Sol encontra-se na proximidade zodiacal do Nodo Norte, ou Cabeça de Dragão *

A Cabeça de Dragão é um vector (seta) dirigido heróica e criativamente para o futuro, a partir da acção no momento presente.

A consciência é projectada para o futuro, num sentido evolutivo, estimulada para a criatividade e para a aprendizagem.

Daqui resultam : ideia, visão, princípio, estímulo, inovação, inspiração, novos rumos, nova identificação grupal.

* em Março 2016 – a Terra encontra-se na proximidade zodiacal do Nodo Norte, ou Cabeça de Dragão :

 é com os pés na Terra, numa atitude em que essa consciência se enraíze pragmatica e existencialmente na vida, que a projecção de um sentido evolutivo acontece. Se em 2014 a acção no momento presente poderia estar ancorada em visão ou ideia, em 2016, essa mesma acção pressupõe enraízamento e concretização. A Terra encontra-se receptiva e dinamizada por uma atitude prospectiva.

b) A Terra situa-se na proximidade zodiacal do Nodo Sul, ou Cauda de Dragão *

A Cauda de Dragão é um vector (seta) dirigido retrospectivamente a nós a partir do passado e subjaz à nossa acção no momento presente.

A consciência recapitula e actualiza-se a partir de registos de experiências do passado e de valências já consolidadas, escolhendo largar o que se tornou irrelevante, obsoleto e tóxico.

Daqui resultam : plano para a ideia, mãos para a visão, acção conforme ao princípio, resposta ao estímulo, trabalho e reestruturação inovadores, competência, veículos e ferramentas, partilha de vivências e experiências com os grupos com os quais nos identificamos.

* em Março 2016 – o Sol encontra-se na proximidade zodiacal do Nodo Sul, ou Cauda de Dragão :

é através de uma revisão voluntária, sensível e lúcida do passado que todo o plano se redesenha e que as ferramentas para a nossa acção se actualizam e adaptam para que possamos ancorar novos padrões e novas estruturas, inclusivos e potenciadores do melhor que trouxemos até ao momento actual. Existe uma atitiude retrospectiva de observação, reconhecimento e triagem clara dessa ‘herança’. Se em 2014 nos encontrámos numa situação de condicionamento pelo passado, agora encontramo-nos numa posição criativa em que o olhar retrospectivo é um olhar transformador. Assim, o presente renova a memória, podendo regenerar-se marcas e traumas negativos e limitadores. Como quem aceita e reescreve a sua história para dela se poder emancipar. (Neptuno em Peixes e Quíron em Peixes conjunto ao Nodo Sul estão directamente relacionados com esta acção purificadora e profundamente curativa).

c) [a)] A Lua Nova, no eclipse solar, recebe e memoriza uma espécie de desígnio evolutivo, pela conjunção ao Sol e pela proximidade ao Nodo Norte (Março 2016 : Nodo Sul).

c) [b] A Lua Cheia, no eclipse lunar, nutre(-se) e materializa ou projecta esse desígnio a partir da conjunção com a Terra e da proximidade ao Nodo Sul (Março 2016 : Nodo Norte). Poderia dizer-se que a Lua traça na Terra o desenho que lhe foi transmitido e a partir do qual todo um processo é posto em movimento para realizar esse desígnio solar.

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Na verdade, todos os meses em cada ciclo da Lua vivemos este mesmo processo de consciência numa escala mais imediata, limitada e menos intensa (quando não há eclipse, não existe a proximidade ao eixo dos Nodos).

A nossa maturidade psicológica vai-se revelando, em qualquer dos casos, através de respostas positivas como as acima descritas.

No entanto, em etapas e fases mais imaturas há alguma tendência a rejeitar, estranhar ou recear as propostas e desafios que o Nodo Norte apresenta, dando preferência à familiariade e mestria que o Nodo Sul oferece. Um indivíduo que recuse ou negligencie continuamente o chamamento do Nodo Norte, acabará mais tarde ou mais cedo [habitualmente a partir dos 40’s] por se esgotar, degenerar e estagnar, prisioneiro da sua história e das fronteiras do seu ‘continente conhecido’.

A cada 18 anos inicia-se um novo ciclo dos Nodos e podemos iniciar uma descoberta consciente de novos continentes em nós. Isso implica aventura, partir em viagem, riscos, incógnitas, adaptações. Se o fizermos, os horizontes do que conhecemos alargam-se, o desconhecido mapeia-se, desenvolvem-se engenho e mestria, alarga-se o conhecimento e extraem-se novos sentidos e prioridades da multiplicidade das experiências.

Tudo isso, num ciclo seguinte, estará ao nosso dispôr, dado por aquirido, num Nodo Sul que enriqueceu e se renovou.

Quando, num eclipse, o Sol, a Lua ou os Nodos Lunares estiverem em posições no zodíaco que correspondem a pontos importantes do nosso mapa natal – particularmente os pontos mais pessoais : eixo Ac/Dc, Mc/Ic, eixo nodal, Sol, Lua, Mercúrio, Vénus e Marte – esta efeméride astrológica vai sinalizar uma ‘ignição’ nos nossos processos de desenvolvimento e evolução pessoais. O eclipse entrou em ressonância com a nossa matriz, como uma chave (combinação) com a qual o céu nos liga o motor e nos põe a caminho… de nós mesmos e por via terrestre.

É o grau de auto-conhecimento e consciência de si que vão determinar em que etapa estamos, qual a qualidade do nosso movimento…

Muitas das vezes, na nossa ignorância, inexperiência, apego e imaturidade estamos demasiado fixados no pólo psicológico nocturno do ser, não nos apercebemos disso e preferimos permanecer no lugar seguro da nossa história, do hábito, da memória, das narrativas – tudo isso passado, tudo isso nos deixa também cada vez mais pendurados na cauda do dragão, até cairmos de cansaço.

Então…

vem algo ou alguém que afirmou ou demonstrou que estamos sujos

que somos um trapo velho e cheiramos mal

fechou-nos numa máquina de lavar

programou um ciclo longo, temperatura máxima, para tirar as nódoas

(e nem se lembrou que podemos encolher)

juntou todos os branqueadores e aditivos possíveis sem qualquer respeito pela ecologia psicológica

(e nem se lembrou que podemos perder a côr)

ligou a centrifugação, potência máxima, para enxugar

saímos de lá todos torcidos e engelhados

(já estamos com sorte se não nos fecharem de novo num secador)

só para depois nos estender ao Sol…

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Ou então, ficamos ‘encandeados’, deslumbrados pelo pólo psicológico diurno do ser, fixamo-nos obssessivamente nisso e, sem nos apercebermos, entramos numa espécie de ‘síndrome radical’ : nada do passado nem da experiência adquirida, ou nada além do que nos estimulou para o futuro parece ter lugar na nossa vida. Podemos entrar em níveis de idealização, ruptura, desproporção ou alienação que nos vão separar do fluxo da existência – e isso é ser tragado pelo dragão.

Neste caso, talvez…

venha algo ou alguém que afirmou ou demonstrou que somos

admiráveis, perfeitos, lindos, maravilhosos

então não nos podemos sujar

não podemos ser lavados nem numa máquina de lavar

(quanto mais mandar-nos ao mar…)

só limpos a seco ou

(em casos extremos)

deitados no lixo.

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E a ideia não seria antes poder aparelhá-lo? Consciencializarmo-nos do nosso poder?

Tal como a integração do Sol e da Lua, o alinhamento cada vez maior com o eixo Nodal reclama um ‘Sim’ cada vez mais presente no optimismo e criatividade com que respondemos aos desafios que se vão renovando [em ciclos de 18 anos]. Isso contribui para uma evolução inequívoca e sustentada ao longo do tempo.

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Por fim, um quarto e último facto, está ligado a uma das Partes Arábicas – a Parte da Fortuna.

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Esta é indicadora de uma energia zodiacal e de uma área de vida onde frequentemente sentimos uma profunda completude, uma tranquila capacidade para tudo resolver sem esforço nem sacrifício.

Ali fomos abençoados, agraciados com tudo o que precisamos, nada a menos, nada a mais. É simbolizada por uma cruz dentro de um círculo, semelhante à Terra, mas cruzando na diagonal. Também pode ser associada a um equilíbrio justo entre os quatro elementos, dando acesso ao 5º elemento – éter.

Esse ponto, psicológicamente completo e funcional, é uma espécie de lembrete vindo do futuro, enviado a partir de um ponto mais evoluído do nosso caminho, onde temos um contacto com o que de melhor poderemos vir a alcançar.

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Funciona também como excelente pedagogia ou medida para aperfeiçoamento de outras ‘arestas’ bem mais rudes do nosso mapa : ao vibrar com as qualidades daquele signo e do modo como as expressamos nessa casa em particular, somos o nosso melhor exemplo. ‘Espelhamos o nosso Céu’! Podemos auto-observar essa excelência e aprender com ela, traduzi-la para outros temas, adaptá-la a outras áreas.

O cálculo desta parte é feito a partir da distância angular entre a Lua e o Sol, marcando-a depois a partir do Ascendente. Portanto, projecta-se uma potencial integração do Sol e da Lua a partir desse ponto altamente individualizado do mapa.

Além de representar uma via de caminho de encontro identitário, o Ascendente representa também uma via de abertura a um ‘Eu superior’ em nós – a nossa Alma. Uma energia de abertura psíquica. A parte da fortuna ‘exemplifica’ uma qualidade vibracional e psíquica para o nosso ser, uma afinação para o nosso coração – como se ‘desse o tom’ com o qual a alma pode vir a manifestar-se em nós e no mundo, se nos abrirmos à nossa busca espiritual.

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4 – Tal como em qualquer Lua Nova, num eclipse solar, a Parte da Fortuna sempre se encontra conjunta ao Ascendente do mapa. Tal como em qualquer Lua Cheia, num eclipse lunar, sempre se encontra conjunta ao Descendente do mapa.

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No primeiro caso, do Eclipse Solar, é o nosso ‘tom’ pessoal que é determinante.

É a qualidade da nossa presença como um todo – a qualidade vibracional da nossa energia pessoal e o nosso posicionamento no mundo e junto dos outros – que actua como o ‘diapasão’ das experiências que vão marcar o processo de tomada de consciência. Emitir num tom claro e constante é crucial. Uma questão de assertividade e acção direccionada, uma questão de firmeza e constância.

No segundo caso, do Eclipse Lunar, importa antes a nossa capacidade de ajustar o ‘tom’ pessoal ao ‘diapasão’ que as circunstâncias envolventes e o retorno relacional que temos dos outros – o espelho, o ‘feedback’ – nos dão. Ela determina a qualidade das experiências implicadas nessa tomada de consciência. Então é a capacidade de afinação que é crucial. Ter ‘bom ouvido’ é fundamental. Uma questão de sensibilidade e abertura sincera, uma questão de eliminação do ruído e qualidade de ressonância.

Só assim a vida soará como uma melodia harmoniosa ao atravessar o período desafiante e intenso de um eclipse que nos ‘toca’.

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Agora sim, já vos posso falar do ‘papagaio diamante de fogo’ 🙂 …

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Hoje apetece-me mais falar de papagaios, até porque o eclipse de 8 de outubro é efectivamente um papagaio :),

até porque chegada a um determinado ponto, uma pessoa pode assumir humildemente as suas nódoas para não desvirtuar as suas cores, pode questionar seriamente a autoridade que o ‘outro’ ou o mundo exterior têm sobre nós, para finalmente os receber. Pode perder o medo de se sujar e deitar as mãos à obra.

E se algo grande e imperioso dentro de si o faz sentir mal ou sujo, pode preferir despir-se, ir até a um rio, um lago ou ao mar, banhar-se e depois deitar-se ao sol.

Então talvez fique com sede e deseje beber a água pura de uma fonte cristalina.

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O eclipse de 8 de Outubro é um eclipse lunar.

Estamos perante um momento astrológico de intensificação psicológica e de forte actividade psíquica em que algo em nós se nutre, através da Lua, da Terra – tal e qual ela se nos apresente, nos factos concretos e objectivos da realidade factual e pragmática do mundo exterior… e algo em nós contempla o Sol, quer celebrá-lo, quer senti-lo e está sujeito ao filtro da sua própria matriz pessoal no olhar que lhe lança. Quer atingi-lo mas está limitado pelo contexto – familiar, histórico, social, económico, político, cultural … – em que se encontra.

A Lua e a Terra estão conjuntas a Urano em Carneiro e Nodo Sul.

Formam uma dura quadratura a Plutão em Capricórnio. Duras as vontades e exigentes os tempos que correm…

Persiste ainda o braço de ferro das estruturas e poderes instituídos com novas células sociais, com visões distintas, com posturas alternativas e com uma urgência revoltada.

[ quadratura Urano-Plutão ]

Mudámos de paradigma e queremos agir no mundo ou o mundo está a forçar-nos a mudar de paradigma…

Estamos rebeldes, nervosos, instáveis, em ruptura, erráticos em acções impulsivas e descontinuadas…

 [ Lua conjunta a Urano ]

Sabemos e queremos ser mais e melhor, agir nesse sentido ou partir em busca de paragens mais estimulantes e positivas…Aprendemos algo novo, fizemos algo diferente, encontrámo-nos com alguém profundamente significativo…

[ Júpiter em Leão e Marte em Sagitário ]

Mas será que podemos efectivamente mudar?

Será que queremos efectivamente mudar?

Será que o mundo está receptivo à nossa visão?

Será que estamos nós abertos ao mundo?

Será que é possível uma revolução simultaneamente fulgurante e civilizada?

( ou será antes o caso de acontecer algum salto civilizacional?…)

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Se deixarmos que o mundo exterior e os outros nos definam, ditem quem somos e comandem a nossa existência, o retrato é negro, regressivo, violento, fatalista :

Diz Plutão, inflexível em Capricórnio ‘Não podes, eu não quero e eu não deixo. Quem manda aqui sou eu e vou ficar de olho em ti. Nem te atrevas.’

‘Olha só como tem sido até agora… não sejas ingénuo, não podes contar com ninguém senão tu mesmo, defende-te, desconfia, joga pelo seguro mas finge que está tudo bem…não há tempo, não há condições, os recursos são escassos. É melhor ficares por aquilo que já tens e já conheces. Não há milagres, o mundo continua a ser um circo de feras e para além do mais estás a desgastar-te, ou ainda acreditas que todos temos um lugar ao Sol??…’ diz Saturno em Escorpião em quadratura a Júpiter em Leão.

‘Se calhar não mereces, se calhar vais sucumbir, vítima das circunstâncias. Passa-se muita coisa que tu não sabes. Algo aqui não bate certo, não me vou manifestar a não ser em caso extremo, tudo o que disseres e fizeres será usado contra ti’ … diz Mercúrio retrógrado em Escorpião. Então a mente fecha-se a engendrar uma série de planos secretos, toda encriptada, ninguém nos entende… tudo para se safar incólume das teorias da conspiração que ela própria arquitectou e do clima de crise e pressão generalizados.

Vais mesmo querer voltar ao mesmo filme? Lá estou eu no mesmo filme… no fundo a culpa é minha, e ainda me estou aqui a queixar quando outros estão muito pior que eu…, o mundo está perdido, quem sou eu para fazer algo acerca disso… Se ninguém faz não vou ser eu a mudar a situação’, diz Neptuno retrógrado em Peixes. E escolhe anestesiar-se da dor de alguma forma, esquecer-se, distrair-se, negligenciar-se e permanecer intoxicado pela poluição crescente nas emoções, nos humores, no sangue e na atmosfera. Talvez até tomemos a decisão de não voltar ao mesmo filme, escolhemos um ‘filme novo’, mas não deixámos foi de ir ao ‘cinema’.Nem de nos adiarmos.

Mas a vida não tem de ser uma fatalidade, se nos permitirmos conhecer os cantos escuros da nossa casa. Se abrimos portas e janelas ao calor do Sol, se abrirmos o coração ao Amor e deixarmos que a Luz se instale na nossa mente.

Esse é o trabalho de consciência que o eclipse reclama em todos nós. Esta é a construção e lançamento do papagaio!

Amor, Vénus, Nodo Norte e Neptuno …

(e até parece que já o vemos, em sonhos, a sonhar acordados, o nosso papagaio a voar numa bela paisagem, aquela de que temos secreta saudade ou desejo de conhecer).

O Sol está em Balança : a consciência da beleza, da verdade e da harmonia ilumina-nos e alegra-nos.

Vénus está em Balança : a afinidade que sentimos uns com os outros nessa consciência dá-nos prazer e deixa-nos sonhar, contemplar utopias românticas, estéticas, políticas, paradisíacas… há um equilíbrio presente que nos sossega.

E o Nodo Norte, agulha apontada para o futuro… em Balança os acompanha. ‘GPS’says yes.

Neptuno em Peixes banha-nos num oceano amoroso, artístico, poético, transcendental… há um chamamento que nos reune. Há uma vaga emocional benigna que lentamente nos cura, nos perdoa e restaura a capacidade de entrega e aceitação perante tudo o que é inevitável ou nos ultrapassa.

Existem sim os perigos, reconhecê-los dá-nos coragem…

(mesmo sem os melhores materiais, mesmo com escassas ferramentas, mesmo que tenhamos de improvisar, decidimos fazê-lo e é para ir até ao fim…)

A tensão da responsabilidade de Plutão em Capricórnio. O esforço longo da construção progressiva. Algo em nós que não pode falhar. Mas já falhámos e podemos acabar a andar por aí rígidos, inflexíveis a ranger numa compostura que a dor e o trauma nos ditaram, como uma armadura.

A revolta e a genialidade inquieta de Urano em Carneiro que nos fulmina como se fôssemos os pára-raios da verdade incandescente. E depois andamos por aí a ‘dar choques’ a toda a gente e consideramos que, autónomos em tanta electricidade, chegaremos a algum lado. Mas não, sem Amor vamos roçar uma excentricidade alienada e marginal. (bom, também podemos enriquecer a vender energia a algum grande grupo empresarial ou a crashar redes de informação estratégicas. ‘chiu Úrano, vai ali descarregar-te num poste e fala comigo depois…’).

E mesmo entregues a esse amor, mais um perigo ainda… que Neptuno e Quíron em Peixes nos afoguem num auto-esquecimento bem intencionado, sacrificado aos outros, e devocional em reacção ao sofrimento do mundo perante o qual estamos impotentes ou impedidos de agir. Sonhamos salvar o mundo e esquecemo-nos de nós. Entregamo-nos ao Amor por alguém e esquecemo-nos de nós. Ou perante a imensidão de um mundo que sofre, isolamo-nos dele. Já não aguentamos e recolhemo-nos em silêncio. E mais uma vez, assim nos negamos a Ser…

.

No entanto, não deixámos de construir o papagaio… é isto que sinto e nisto acredito. Pode até ainda não estar pronto, pode até cair, mas,

.

estamos a fazer um papagaio com as nossas mãos,

que são só duas (e tremem, por vezes)

feito do nosso delicado e frágil papel de pessoa,

é uma cruz humana contornada por um fio de tempo,

sobre o qual estendemos essa tela que somos,

e a recortamos pela aproximação da tentativa e do erro,

para a fixarmos numa cruz consciente,

com a solitária cola da nossa vontade

e a incrível consistência do nosso amor.

.

tem um diamante facetado desenhado,

pelo melhor que já conhecemos de nós,

pelo mais vivo que já encontrámos ao longo dos dias sucedendo-se,

(isso foi sempre que o tempo parou e todo o espaço se nos abriu…)

colorido por todos os momentos de genuína entrega,

cauda ornada pelos alegres extravasamentos de quem somos.

um desenho de traço inspirado por um desígnio secreto,

que nos deu a força e perícia para o construirmos,

que nos inspira vontade de lançá-lo ao alto.

.

queremos largá-lo ao céu, com prazer, com alegria

em celebração

como uma dádiva, como uma entrega.

vê-lo voar, sentir esse vôo no fio entre as mãos

e voar com ele numa brincadeira cada vez mais séria.

Até eventualmente,

num dia irredutível,

lhe pegarmos fogo

e deixá-lo assim, arder para cima

levado pelo calor até desaparecer.

.

o que é exactamente igual e coincidente

com o profundo emergir desse calor no coração

que acende a luz no olhar

de quem revela um pequeno diamante dentro de si.

.

Obrigada pela vossa longa leitura, é uma alegria reencontrar-vos aqui, por escrito.

*p.

 [ patrícia nazaré barbosa – raio de seda astrologia, 08 > 15 outubro de 2014 ]
o material publicado neste blog é inédito e inteiramente da minha autoria, incluindo fotografias e/ou ilustrações (salvo indicação em contrário e/ou licenças de utilização aberta).
se pretende divulgar ou citar o todo ou partes dos artigos agradece-se a menção da sua autoria e remissão para a fonte dos mesmos :
patrícia nazaré barbosa @ raio de seda astrologia
raio.de.seda@gmail.com | https://raiodesedaastrologia.wordpress.com.
agradece-se igualmente o envio de cópia ou ligação da sua publicação para a autora via email : raio.de.seda@gmail.com.
obrigada.
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2 comentários leave one →
  1. Filipa Sabrosa permalink
    22/10/2014 12:13

    parabéns,gostei muito 🙂

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