estrelas de dezembro
feliz época natalícia a todos!
o brilho das estrelas em Dezembro é um apelo à ideia que nos deixou a lua nova em Sagitário (último post) : ‘tomamos consciência para além de nós, de todos os outros centros numa unidade indivisível. Somos estrelas brilhantes reunidas em constelações num mesmo universo. A individualidade torna-se sinónimo de colectivo.‘
oferecer uma prenda a quem gostamos é um gesto simbólico da nossa ligação aos outros e sabe tão bem quando conseguimos surpreender com um ‘mimo’ especial
apresento-vos as minhas ‘estrelas de dezembro’, para quem ainda procura ‘aquela’ prenda :
que tal oferecer uma sessão de astrologia? os vales ‘raio de seda’ são enviados via e-mail e podem ser recortados e impressos para colocar na árvore de natal ou enviados pela internet para quem estiver mais longe. [+ info aqui]
para quem gosta de Tarot ou outros Oráculos, criei as bolsas ‘stardust’ especialmente desenhadas para os proteger e guardar. raramente há duas iguais e são feitas artesanalmente, com muito amor
. estão disponíveis na loja Sopro d’Alma em Lisboa ou por encomenda via e-mail [+ info aqui]
espero que gostem! até breve…
um arqueiro e o seu duplo – viagem por terra
Estamos neste momento a viver a lunação que se iniciou no passado dia 25 de Novembro, na Lua Nova a 2º de Sagitário. Este ciclo leva-nos até à próxima Lua Nova de Capricórnio no dia 24 de Dezembro e é especialmente intenso pela ocorrência de eclipses no eixo Sagitário-Gémeos.
Os eclipses são luas novas ou cheias ‘especiais’, em que um alinhamento de Sol, Lua e Terra num mesmo eixo faz com que haja uma ocultação parcial ou total da luz solar em relação à Terra (eclipse solar) ou projecção da sombra da Terra sobre a Lua, impedindo a reflexão total ou parcial da luz solar pela superfície da Lua (eclipse lunar). Os ciclos de lunação simbolizam a relação entre o mundo inconsciente, associado à Lua e à dualidade e o mundo consciente, associado ao Sol e à unidade. Esta simbologia – da dualidade para a unidade – torna-se então, bastante mais intensa quando ocorrem eclipses.
O signo de Sagitário reforça esta ideia, pois está ligado à figura do arqueiro-centauro, híbrido homem-cavalo, e representado por um glifo em forma de flecha. Esta figura mítica integra o corpo animal (inconsciente) e humano (consciente), unos nessa simbiose. O seu elemento é o Fogo, plano mais subtil e intuitivo do nosso ser, da energia criadora que literalmente nos anima, tornando-se cada vez mais densa até encontrar a sua manifestação concreta no plano material e físico do elemento Terra. Ao lançar a flecha, projectamo-nos e transcendemo-nos em algo maior.
Se na lunação anterior descemos até às nossas profundezas num processo regenerador e purificador em busca de maior estabilidade, tranquilidade e paz interiores – eixo Escorpião-Touro – somos agora chamados para prosseguir noutra etapa.
Em Escorpião-Touro vivemos uma energia fixa (de foco, construção, concentração, continuidade) que nos consolida.
Em Sagitário-Gémeos passamos para uma energia mutável (de adaptação, flexibilidade, transmutação ) que faz uma transição até um novo centro – a energia Cardinal ( início, acção e irradiação ) de Capricórnio-Caranguejo, que se lhe segue. Em Gémeos há sempre mais que uma via, dispersão e duplicidade mas o olhar mais desprendido e de maior alcance de Sagitário tem a capacidade de sintetizar essa multiplicidade numa direcção, num sentido ou num propósito. Um processo de reunião e unificação.
O signo de Sagitário corresponde à terceira etapa do caminho de fogo da consciência da individualidade. Em Carneiro, afirmamo-nos e agimos exteriorizando energicamente a essência do nosso ser. Em Leão tomamos consciência do centro do nosso ser e a nossa essência irradia luminosa. Em Sagitário, tomamos consciência para além de nós, de todos os outros centros numa unidade indivisível. Somos estrelas brilhantes reunidas em constelações num mesmo universo. A individualidade torna-se sinónimo de colectivo.
Olhando para os mapas da Lua nova (Sagitário) e da Lua Cheia (Gémeos) surge uma imagem-história…
Um Arqueiro Centauro que lança a sua flecha, cheio de confiança, embora seja noite escura. Acredita que vai atingir o seu alvo. Sabe qual é, não precisa ver. Sente que é agora, não precisa esperar. Age num impulso, no entanto os seus gestos são precisos e determinados. A flecha voa. Deita-se e dorme, sozinho ao relento. Não há frio que o atinja nem medo que o assalte. Nasce o dia, ele percorre o caminho num ritmo seguro e constante sem se cansar. Chega ao seu destino com o Sol bem alto no céu. O que vê não é de todo o que esperava. Duvida, custa-lhe acreditar que falhou mas a imagem é bem clara aos seus olhos. Estilhaços de vidro espelhado por todo o lado, a flecha caída junto a outra flecha e um Arqueiro Centauro tão atónito quanto ele, a olhar para ela. O alvo, esse está afinal no topo de uma montanha que se recorta num horizonte bem longínquo, noutra direcção. O Arqueiro Centauro inspira, expira e lança a sua flecha. Duvida que acerte o alvo embora seja dia claro mas tem a certeza que vai atingir o seu objectivo ao escalar a montanha, num caminho partilhado.
A viagem que fazemos nesta lunação é então esse percurso integrador em que podemos aprender a ser inteiros, logo unos com todos os outros. Pode passar por muitas coisas : ter uma postura mais optimista e um ponto de vista mais global, aprender algo que nos faça ‘juntar as peças de um puzzle’, assumir um certo grau de aventura e risco, descontrair e confiar na vida, fazer mais desporto, partir numa viagem, gozar momentos de liberdade, partilhar a sabedoria que a vida nos vai trazendo, cultivar o contacto com pessoas fora do nosso país, sermos mais empreendedores ou irmos mais longe numa busca espiritual…
Mas sem as pôr em prática ou torná-las em algo de mais concreto vamos desperdiçar as nossas flechas de fogo. Júpiter, regente de Sagitário está a transitar pelo signo de Touro motivando a busca de maior paz, segurança, beleza e conforto mas também produtividade e crescimento. Marte, planeta da acção, transita o signo de Virgem e estimula-nos a ‘fazer’ com rigor, utilidade, eficácia, método e humildade. Vénus em Capricórnio valoriza cada passo seguro, cada responsabilidade assumida, a escalada gradual e trabalhosa que nos alarga o campo de visão. O Caminho faz-se por Terra.
Cheio de derivações, atalhos, alguns becos sem saída e muitos cruzamentos com os outros caminhos, cada um vai fazendo o seu.
O meu passa pela astrologia e o estudo de mapas astrológicos natais é uma das suas vertentes práticas, uma ferramenta útil para nos olharmos como um todo. Aqui fica o convite a um momento de partilha : marque uma sessão ou ofereça-a a alguém.
Até breve!
as inscrições para o atelier astro criativo permanecem abertas e vão ser prolongadas até 30 de novembro. novas datas e toda a informação disponivel aqui.
renovo o meu convite de experimentação, através da astrologia e criatividade, de um caminho de auto-conhecimento num módulo de 5 sessões.
‘come and play’!
e-mail funcional de novo
olá a todos,
o problema com o e-mail raio.de.seda@gmail.com foi resolvido e está de novo acessível como habitual. obrigada pela paciência!
olá a todos,
houve um problema técnico com o e-mail raio.de.seda@gmail.com hoje
durante alguns dias a conta está bloqueada e não terei acesso às vossas mensagens. para envio de pedidos de consulta ou inscrição no laboratório astro criativo, por favor usem o seguinte : p.nazarebarbosa@gmail.com
espero que o problema se resolva rapidamente e logo que a conta volte a estar acessível postarei por aqui. obrigada e as minhas desculpas pelo contratempo.
‘sunshine on a rainy day’
A chuva cai intensamente, o Outono reafirma-se de dilúvio em dilúvio no seu percurso anual pela energia de Escorpião. O poder curativo da água, a regeneração emocional.
Neste dia cinzento apeteceu-me falar do Sol. Da nossa estrela, centro do sistema onde navegamos na nossa querida casa, o planeta Terra.
Tudo gira e gira ainda a cada vez que nos posicionamos num outro centro. Corpo, país, continente, planeta, sistema solar, galáxia, via láctea… E aparentemente quietos em frente a um écran de computador, viajamos a uma velocidade estonteante pelo universo fora.
Quando era pequena tinha uma brincadeira muito divertida, inspirada pelo amor pela ficção científica e um apelo (provavelmente inato) pelas viagens. Nem que sejam só na imaginação. Brincava então às naves espaciais num registo ultra-minimalista que consistia muito simplesmente em imaginar-me numa nave espacial a querer aterrar com sucesso num planeta. A cozinha era o sítio ideal porque o pavimento era de ladrilhos quadrangulares. Punha-me a andar à roda até ficar completamente tonta e, nesse período de turbulência do equilíbrio, encenava a perigosa aterragem da nave no planeta-quadrado-de-um-dos-ladrilhos. E lá comandava a nave até parar no centro do quadrado. O que nem sempre era uma aventura bem sucedida.
Isto tudo a propósito de girar e do Sol. E há um motivo – a questão do centro e da importância de nos sabemos posicionar precisamente aí. A astrologia vem, muitos anos mais tarde, relembrar a questão fundamental do nosso centro – o Sol e como o estudo do mapa natal é uma ferramenta muito útil para reconhecê-lo e ligar todas as energias planetárias em torno dele
Se quiser aterrar a minha nave espacial com sucesso nalgum território conhecido ou desconhecido não vou conseguir fazê-lo a não ser que esteja centrada, no comando de mim. E também convém conhecer bem as características da minha nave. Porque nalguns dias mais cinzentos, quando os raios do Sol não chegam directos ou um período de escuridão se impõe, convém conseguir projectar ainda assim, o seu brilho para além desse véu. Senão vou dar por mim em desequilíbrio, sacudida pelos múltiplos movimentos giratórios do mundo e da viagem universal, lançada para dentro de alguma máquina de lavar juntamente com a roupa suja, a minha e muita alheia também.
Desde que comecei a estudar astrologia, aprofundei mais o caminho do auto-conhecimento e conheço um pouco melhor o meu centro, o brilho do ‘meu’ Sol e as relações harmónicas e dissonantes se criam em torno, ao longo do tempo. E chegou a uma altura em que se impunha estender essa ferramenta para além do auto-conhecimento e ajudar outras pessoas a reconhecerem e intensificarem os seus próprios processos. Comecei a estudar mapas e a fazer sessões de astrologia em torno deles. Estou muito grata por toda a aprendizagem que daí tiro e por ter assim oportunidade de contribuir de algum modo para despertar e catalisar a auto-consciência. Nada mais que um acesso à luz e energia abundantes que cada pessoa tem em si.
Um Sol em Escorpião reclama o mergulho emocional interior, a viagem pelo universo dentro, que nos faz renascer mais puros e criar laços emocionais profundos e verdadeiros com os outros. Essa é uma das manifestações mais luminosas da sua energia. O brilho intenso mesmo na escuridão mais profunda.
Cada um de nós é um centro do universo e é responsável criativamente pela sua manifestação. Se o mundo em torno não parece bom ou justo, há o primeiro e fundamental passo de nos colocarmos no nosso centro e mudar esse mundo. Basta refrescar olhar, modificar atitudes e já se sente um ‘cheirinho’ do nosso poder mágico e criativo.
Se derem um pequeno-grande passo na vossa mudança interior em resposta ao aparente caos exterior, sabem do que falo… E se a astrologia vos parecer um bom meio de ‘cartografia’ interior, cá estou para dar o melhor contributo que sei.
Imaginem o Sol brilhante, luminoso e quente que está acima das nuvens e faz as gotas de chuva brilhar no espectro do arco-íris quando encontra uma aberta
. Quando a noite cai, imaginem o seus raios a iluminar o outro hemisfério terrestre.
Feliz continuação de Outono.
as inscrições estão abertas para o ‘lab’
proponho-vos 5 tardes de sábado entre novembro 2011 e janeiro de 2012 de experimentação em torno da mandala que é o vosso mapa astrológico natal. conceitos básicos de astrologia, expressão plástica, expressão escrita e exercícios vivenciais reúnem-se para facilitar experiências criativas e auto-conhecimento num ambiente descontraído e lúdico.
come and play!
mais info aqui | inscrições até 16 de novembro 2011 | 1ª sessão 19 nov
Hoje no final do dia (pelas 20:57) chegou a Lua Nova em Escorpião, a pontuar o pico do Outono em estilo diluviano. O elemento água faz-se literalmente sentir e reflecte a intensidade emocional característica deste signo.
Tal como falei em posts anteriores, uma lua nova representa o início de um ciclo mensal e contém as ‘sementes-proposta’ desse mesmo ciclo. O que propõe então esta Lua para Outubro-Novembro?
[parêntesis astrológico]
Curiosamente, apesar do posicionamento maioritário dos planetas pessoais em Escorpião, uma energia emocional e fixa, de carácter introvertido, o tema desta Lua põe em evidência também outros factores em energias de Ar e Fogo, o que resgata o tema da comunicação e identidade que já se sentiu o mês passado. O regente de Escorpião, Marte, transita neste momento o signo de Leão (Fogo) e o mapa para esta lunação tem Ascendente e Meio do Céu (MC) em energias do elemento Ar, de natureza mental, racional e comunicativa, respectivamente em Gémeos e Aquário.
Saliento ainda mais alguns factores importantes : Lua e Vénus em posições debilitadas por signo, o regente do Ascendente – Mercúrio – com aspectos desafiantes a Marte e Neptuno (conjuntos, respectivamente, ao Fundo do Céu (IC) e MC) posicionado numa casa cadente e os pontos de maior fluidez a convergirem exclusivamente para os planetas sociais – Saturno e Júpiter – e transpessoais – Úrano, Neptuno e Plutão. Mais altos no mapa estão Neptuno (e também Quíron). Um outro factor curioso é que o eixo Carneiro-Balança (tão forte na lunação precedente) está agora interceptado nas casas 5 e 11, com cúspides em Virgem e Peixes. Não há qualquer planeta em signos mutáveis.
[ou seja…]
Não há nada de leve ou fácil neste tema, ou não fosse esta uma lunação em Escorpião… Há por outro lado uma enorme força contida, grande poder de resistência e um significativo potencial de regeneração e transformação. Muito depende do quão objectiva, estruturada e consciente for a exteriorização dessa força e da integridade e sentido de responsabilidade individual e colectiva que acompanha as nossas acções e decisões.
O caminho proposto é de comunicação e aprendizagem pela troca de informação de um modo eclético, diversificado mas acima de tudo transversal. Numa base regular, quotidiana, com dedicação e empenho. É fundamental que esta troca seja orientada ou fundamentada em princípios sólidos e pragmáticos, com um horizonte de futuro.
O grande desafio vai ser manter a visão focada nesse horizonte (melhor, mais esclarecido e integrado) perante tantas lutas de domínio, manobras subversivas, manipulação de interesses e desresponsabilização sobretudo pelos que detiverem de algum modo maior poder.
É natural um crescente desânimo face à evidência e a crueza dos factos diariamente constatados na vida pública. E é igualmente natural que isso afecte a vida pessoal e íntima cada vez com maior impacto.
Assim é o clima desta lunação, um sentimento de vulnerabilidade, tensão , desconforto e impotência ao qual dificilmente escapamos. Mas este é apenas o cenário negro. E um cenário negro, mesmo quando os dias são cada vez mais curtos, não existe sem o lado luminoso…
Ele está em cada um de nós, no (apenas) aparentemente insignificante poder individual. Se ele funcionar em ligação e rede com os outros, é tudo menos insignificante. E não é uma questão de números, é uma questão de identidade, integridade e compromisso. De escolha de caminhos e da dedicação a percorrê-los porque sabemos que por ali vamos mais longe. Quando olharmos para o lado percebemos que há sempre alguém que escolheu o mesmo. E que há uma série de caminhos que vão na mesma direcção. Por aí fora… A auto-confiança é uma força motriz, é preciso acreditar no nosso valor.
Há uma ‘dor de alma’, um mal-estar, perda ou nostalgia emocionais activadas nesta lunação mas todas as dificuldades, obstáculos e sofrimento têm um papel muito positivo – fazem com que não tenhamos outra hipótese senão olhar para dentro. A energia de Escorpião é tenaz e consegue adaptar a sua visão para captar a luz mesmo na noite mais profunda. E essa luz vem daí, vem de uma dimensão profunda e interior irradiada pela chama do renascimento. É a energia da cura que vem do confronto directo com a raiz do mal, assimilando-o e transmutando-o. Há que reconhecer e aceitar o poder de energias destrutivas para conseguir transformá-las. Há que sacrificar algo que nos prenda. E como estamos a falar do elemento Água, o trabalho a nível emocional é a chave. Sensibilidade, empatia, aceitação, perdão. Primeiro que tudo connosco mesmos. Reconhecer o nosso lado sombra, a silhueta dos nossos medos, o fedor nos nossos podres, a biologia dos nossos monstros, a ganância dos nosso desejos, a cronologia dos nossos segredos. Também somos isso, e se honestamente o sentirmos há possibilidade de estabelecer um diálogo interior, de igual para igual e por ai vem o caminho da aceitação e da integração.
Quando somos inteiros, deixa de haver preto e branco. Há tudo pelo meio. Ao abrir os olhos ao mundo depois deste mergulho nas profundezas não faz assim tanto sentido a demonização de factores exteriores. Há demasiado trabalho para fazer ‘em casa’…
E ao fazê-lo contribuímos em muito para que o horizonte de futuro seja viável. Sem medo e sem desconfiança, pensamos e comunicamos melhor, agimos com mais energia e direccionamento, somos mais sensíveis aos outros e relacionamo-nos mais facilmente, somos mais livres, expressivos e criativos.
A proposta desta lunação é também esse trabalho de cura e de aprendizagem introspectiva na busca de paz interior e transcendência de apegos nocivos. Para que a acção e intervenção no exterior seja poderosa, útil, eficaz, objectiva e construtiva.
Um dos planetas fortes actualmente – Saturno dignificado em Balança – continua a reclamar a importância estrutural do sentido de responsabilidade individual em qualquer tipo de relacionamento e do fortalecimento mútuo colectivo e pessoal que daí decorre. Mas neste ciclo, para lá chegarmos precisamos de ‘passar’ pela energia de Virgem, humilde, trabalhadora e útil.
‘wash my soul’, lavo a minha alma e ponho as mãos ao trabalho, o melhor que sei.
Desejo-vos uma lunação poderosa e regeneradora. Vivam o espírito do Outono e deixem a chuva levar as folhas mortas.
hoje, ao 12:10, inicia-se um novo ciclo de lunação com a conjunção da Lua e do Sol (Lua Nova) a 4º do signo de Balança.
relembrando que a Lua Nova é uma fase de potência e semente de algo que se tornará mais objectivo e visível na fase da Lua Cheia, vou falar-vos do que esta energia de Balança nos propõe.
o signo de Balança começa no Equinócio do Outono (ver post anterior) num diálogo equitativo entre luz e sombra, dia e noite, Sol e Lua. o tema do equilíbrio e da consciência do outro, nosso oposto e complementar é muito presente. daí, e enquanto signo do elemento Ar, Balança reclama questões de diálogo, relacionamentos e através destas dinâmicas, uma busca de justiça, verdade e harmonia na nossa vida. A medida justa, o peso adequado, a proporção harmónica. É uma energia Cardinal, o que implica acção, dinamismo e expressão dos nossos afectos e valores (o regente deste signo é Vénus). mas (como todos os que tenham este signo muito presente no seu mapa natal com certeza sentem) para viver esta ‘dança’ são precisos pelo menos dois! e será que os outros seguem o mesmo compasso? aqui surge a questão das adaptações, concessões e compromissos que a nossa percepção do outro torna tão importantes. porque a última coisa que a energia de Balança busca é o conflito…
grande desafio! e esta Lua Nova é especialmente desafiante. nada melhor que pensar numa tradicional balança de dois pratos para compreender melhor o potencial do ciclo mensal que hoje se inicia :
num dos pratos estão a maior parte dos planetas em trânsito neste momento : Sol. Lua e Mercúrio (conjuntos) e também Vénus e Saturno (conjuntos) em Balança. um prato bem cheio. só que no outro está Úrano em Carneiro. e este planeta, fazendo parte dos mais lentos e distantes do sistema solar, tem bastante peso e impacto em questões sociais, globais, geracionais.
em linguagem ‘comum’ temos de um lado estamos nós (Sol), a nossa consciência (integração Sol e Lua) e a comunicação e ligações que estabelecemos com os outros (Mercúrio). um momento especialmente dinâmico de interacção pessoal e social. temos igualmente o forte compromisso e estruturação gradual (Saturno) com aquilo e aqueles que valorizamos (Vénus). do outro está uma forte apelo de autonomia, individualidade e rebeldia. de ruptura com a norma e inovação. está o clima actual de contestação social, a imprevisibilidade, nervosismo e acentuação de comportamentos algo erráticos mas também pioneiros assentes na urgência de liberdade de acção e de expressão.
neste segundo prato da balança, estamos nós também só que aqui a postura é de afirmação individual e essa parece pôr em causa o nosso papel dentro de um grupo. será que não nos sentimos todos um pouco ‘fora do baralho’ de algum modo? desajustados? muito à frente, ao lado, atrás…?! estamos colectivamente ‘electrizados’ por esta energia uraniana, o que pode ser mesmo parecido com ter apanhado um choque eléctrico, sentir aquele formigueiro todo no corpo inteiro e ter algum receio de tocar seja quem fôr! clima revolucionário, de mudanças rápidas.
qual a conciliação possível? – pergunta-nos este ciclo de lunação.
a nossa balança está pousada num terreno, por assim dizer, sísmico. Plutão em trânsito no signo de Capricórnio desde o final de 2008. e vocês sabem bem o que isto é mesmo se não souberem nada de astrologia – é o colapso das estruturas do poder político e económico a uma escala global, é a decadência do materialismo, a instabilidade e os conflitos da sociedade em crise, a descoberta crescente de escândalos e corrupção, por aí fora. tudo potenciado pelos avanços da tecnologia e dos meios de comunicação. a internet, as redes sociais… uma balança em terreno instável tem dificuldade em pesar os seus pratos com exactidão.
colectivo ou individual? compromisso ou ruptura? paz ou revolução? dança ou luta?
todos, de alguma maneira, estamos a viver esta dualidade, algo que uma análise personalizada do mapa natal pode ajudar a entender. falando genericamente, o caminho passa por ‘e’ :
colectivo e individual, compromisso e ruptura, paz e revolução, dança e luta.
uma dinâmica de cooperação e verdadeiramente colectiva só é possível agregando indivíduos conscientes do seu papel e valor pessoais.
um compromisso sólido só acontece quando rompemos com padrões de relacionamento disfuncionais.
a paz vem da ruptura com o conformismo.
acabaram-se as ‘danças da corte’ , para encontrar o tal compasso comum vai ser preciso desafio e confrontação. um pouco de capoeira?!
nesta lunação há um planeta que pode ajudar a pôr acção num processo de integração ou inviabilizar todos os esforços nesse sentido : Marte, a transitar actualmente o signo de Leão. aqui todos somos ‘agentes’ :
activos, afirmativos, decididos,confiantes, corajosos, fortes, generosos e conscientes do nosso brilho pessoal podemos ser construtivos
impulsivos, impositivos, inflexíveis, orgulhosos, inseguros, ofensivos, egocêntricos e inconscientes da nossa identidade podemos ser destrutivos
a escolha é nossa e o equilíbrio do lado luz e lado sombra é o caminho que percorremos. não é confortável nem seguro mas é a aprendizagem que daí tiramos que nos vai trazer paz interior (Júpiter em Touro)
Na Lua cheia de Outubro cá estaremos para ver o que diz a Balança… e , já agora, os melhores pesos que temos para usar são o sentido de responsabilidade pessoal e compromisso para com o grupo, a sociedade e os valores que consideramos realmente válidos (Vénus conjunta a Saturno em Balança, ambos numa posição dignificada). Lembrem-se deles
boa lunação.
chegou o Outono
o Outono chegou hoje, pela manhã, com a entrada do Sol no signo de Balança.
Equinócio. dia e noite equilibrados num diálogo em que a noite lentamente se irá afirmando a caminho do Solstício de Inverno. esta transição, simbolicamente, reclama um tempo de balanço, equilíbrio, diálogo, harmonia e abertura ao aprofundamento e transformação (proposta pelo signo de Escorpião, no auge da estação).
estação de transição para a a quietude Invernal.
à medida que o reino da Lua ganha terreno, vamos tomando mais contacto com o nosso lado nocturno, interior, inconsciente, profundo e todos os processos de introspecção e reflexão serão mais intensos. toda a aprendizagem que daí retirarmos ajuda a ter prioridades mais definidas e cria um conhecimento que podemos partilhar com os outros. vem o tempo de largar as folhas velhas, os ramos mortos, e em maior recolhimento, entregar-mo-nos à regeneração do que não fizer mais sentido. esse será o terreno fertilizado onde um novo ciclo virá com a chegada da Primavera.
‘look within’ e feliz Outono


